A lenda da puta Evelyn Roe
Bertolt Brecht e Hans Eisler
Versão: Tatiana Belink, Maria Alice Vergueiro e Catherine Hirsch
1- Veio a Primavera era azul o mar
Mas ela não sossegou
Com o último barco ao navio chegou
A jovem Evelyn Roe
2- Vestido bem simples cobria seu corpo
Belo celestial
Em vez de jóias o ouro só
Do seu cabelo tão sensual
3- “Meu capitão, ai leva-me,à Terra Santa
Anseio por meu Jesus!”
“Pois vem, mulher, porque bela és tu
E loucos somos nós!”
4- “Cristo vos pague que pobre eu sou
Minh’alma é de Jesus, é do Senhor”
“Pois dá-nos teu tenro corpo, mulher
Porque o Deus que tu amas não nos pode pagar
Pois já morreu na cruz”
5- Eles navegaram com vento e sol
E amaram Evelyn Roe
Que comeu seu pão e bebeu seu vinho
Mas com lágrimas o amargou…
6- Dançavam de dia
Dançavam de noite
E o leme ficou ao léu
Evelyn Roe era branda e doce
Eles duros qual pedra e fel
7- Ela viu primavera e verão passar
… … … … … … … … … … … … … … …
De sapatos rotos de noite andou
De verga em verga, perdido o olhar
Uma praia tranqüila quis vislumbrar
A pobre Evelyn Roe
8- Dançava de dia
Dançava de noite
Qual doente enlanguesceu
“Meu capitão, quando afinal
Terra Santa verei eu?”
9- Nas coxas o capitão sorriu
E beijando-as lhe falou:
“Quem disso tem culpa não sou eu
E sim a Evelyn Roe”
10- Dançava de dia
Dançava de noite
Qual cadáver ela ficou
E do capitão ao grumete, enfim
Todo mundo dela se fartou
11- Trapos cobriam seu corpo já
gasto ferido inchado
E grenhas imundas a lhe cair
No rosto desfigurado
12- “Jamais te verei, Cristo meu Jesus
Com meu corpo pecador
Tu não podes com puta Te encontrar
Com esta pobre mulher, Senhor!”
13- Da popa à proa ela vagueou
Coração e pés a sangrar
Numa noite quando ninguém a viu
Ela se atirou no mar.
14- e a onda glauca a acolheu
E o seu corpo alvo tornou
E agora bem antes do capitão
Terra Santa ela alcançou
15- Quando enfim chegou ao Paraíso
… … … … … … … … … … … … … … …
São Pedro o portão trancou
Deus disse: “Não vou acolher no céu a puta Evelyn Roe”
16- Também quando ao Inferno ela chegou
A porta na cara levou
E o diabo gritou: “Não quero aqui a beata Evelyn Roe”
17- Então ela anda de déu em déu
Ao vento e ao luar vagueando
Em verdade vos digo eu a vi passar
… … … … … … … … … … … … … …
Tarde da noite… no campo a errar…
Às tontas, sem paz, sem jamais parar
Alma penada
Sem morada
A pobre Evelyn Roe
piano: Carlos Blauth


Oh, por favor, coloque a canção !
Obrigado.
Verde
Maria Alice, muito e muito obrigado por ter colocado o som.
Mil beijos para Você.
Verdial
muito bom.. gostei da sua interpretacao
e do piano
gosto do trabalho do bertold brecht
um abraco de paris
marcello
Evelyn Roe, nem puta nem beata…so mulher e
sendo assim, no seu direito de ser ingênua e em busca de amor.
adoreiii, parabens!
somos muitas as Evelyn Roe, q vagam como alma perdida sem mundo e sem rumos.
Acho que a Evelyn Roe é mais uma crítica social que uma alusão ao universo feminino… só acho…
Ah… Já ia esquecendo, uma pena que aqui no trabalho não dê pra ouvir a música… =/
Adoro Maria alice Vergueiro xD