Moça afogada

Bertolt Brecht e Kurt Weill
Versão: Tatiana Belinky

1
Quando ela se afogou e flutuou
Dos ribeirões para os rios maiores
Luz estranha de opala no céu brilhou
Como se quisesse embalar o cadáver

2
Alga e líquem nela se enroscou
E o corpo ficou cada vez mais pesado
Frios peixes roçavam-lhe pelas pernas
Plantas e bichos tolhiam seu último flutuar

3
E à tarde o céu triste escureceu
Qual fumaça encobriu a luz das estrelas
Mas cedo clareou para que também
Ainda houvesse mais uma manhã para ela

4
Quando o pálido corpo n’água apodreceu
Deus então devagar a esqueceu pouco a pouco
Primeiro seu rosto, suas mãos e o cabelo por fim
E ela fez-se carniça em rios de carniça

violão: Alessandro Penezzi

(citação de Prelúdio n. 3, de Villa-Lobos)


2 Respostas to “Moça afogada”

  1. [...] presente em vários dos meus trabalhos teatrais, com textos de Brecht e música de Weill. É a Moça Afogada, que aqui se apresenta em versão de minha amiga Catherine Hirsh e da Tatiana [...]

  2. [...] Brecht, tendo em vista a proposta de cada música. Por exemplo, para uma canção de Weil chamada A Moça Afogada, tornou-se imprescindível a citação para o Prelúdio para violão nº3 do Villa-Lobos(a [...]

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