Carta de despedida
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Bertolt Brecht e Hans Eisler
Versão: Tatiana Belinky
Fumando espero neste Café Bauer
Se não estás a fim diga na cara
Que nem por isso eu vou tomar veneno
Eu nem te ligo, amor
Vá pro inferno!
Não penses não que eu vou sentir saudades
A transação comigo acabou
Eu tenho até certa dignidade
Não me atormente, amor
Não mostre a cara, amor
Ou vais dançar…
Não é você o primeiro que some
Oh, filho meu!
Não mereci isto de ti
Acaso crês que eu não consigo um outro homem?
Pois do meu tipo existem muitos por aí…
Hoje vesti a popelina verde
Com o rasgão que você mesmo fez
O tal que mal me chega até o joelho
Estou também bordando um travesseiro
Que era o teu presente de Natal
O que passou, meu bem, pouco me importa
Se outras cabeças nele vão deitar
O que já foi, amor
O que já foi, meu bem
Foi… e já era.
Não é você o primeiro que some
Oh, filho meu!
Não mereci isto de ti
Acaso crês que eu não consigo um outro homem?
Pois do meu tipo existem muitos por aí…
O meu orgulho e tudo leve à breca
Se te sobrou algum me manda já
Em frente encara-me um senhor careca
Ele é o chefão do Engel Horns Hotel
Agora o cara em frente me pergunta
Se estou a fim porque ele bem que está
Pois tem dinheiro esse velho bode
Segura o teu!
Segura o teu!
E durma só
Agora você é pra mim como qualquer outro
Lá vem o velho, ele vai me carregar
Vê se me esquece,
Vá à merda,
Mas me queira bem.
De todo coração!
De todo coração!
De todo coração!
Tua Erna Schimdt.
violão: Alessandro Penezzi
(citação: Olhos nos olhos, de Chico Buarque)

