Jenny dos piratas

[odeo=http://www.odeo.com/audio/14338713/view]

Bertolt Brecht e Kurt Weill
Versão: Luiz Roberto Galizia

Meus senhores hoje eu lavo copos
Faço as camas de todo mundo
Me atiram um mísero tostão e eu logo agradeço,
Limpo a mão no avental mas eu sei:
Que um dia eu vou sair daqui. (BIS)

Certa noite um grito vai se ouvir
E vocês vão perguntar: “Quem foi que gritou no cais?”
Vão me ver lavando os copos e sorrindo.
Vão perguntar: “Por que é que ela sorri?”

Um navio de piratas
Com cinqüenta canhões
Aporta no cais.

Vocês vão me dizer, lave os copos menina,
E um tostão vão me atirar;
Vou guardar o dinheiro, suas camas arrumar, mas eu sei
Que nelas ninguém nunca mais vai se deitar
Só eu sei o que vai se passar (BIS)

Nesta noite um estrondo vai se ouvir
e vocês vão perguntar: “O que aconteceu no cais?”
Da janela estarei tudo espiando
Vão perguntar:”O que faz ela ali?”

Um navio de piratas
Com cinqüenta canhões
Tudo vai bombardear

A alegria de suas caras vai desaparecer
Porque tudo irá pelos ares
E quando a cidade estiver toda arrasada,
Restará de pé apenas este mísero hotel
“Quem será que da tragédia escapou?” (BIS)

E durante a noite vão berrar,
Perguntando sem parar: “Quem será que vive ali?”
De manhã, então, eu abrirei a porta.
Vão perguntar: “Quem é esta mulher?”

Um navio de piratas
Com cinqüenta canhões
As velas enfunará

No final da manhã, cem piratas desembarcam
Em silêncio vão avançando
E um por um de vocês eles vão acorrentar
E aos meus pés atirar, para depois me perguntar:
“Quem é que você quer que matemos?” (BIS)

Haverá silêncio em todo o cais,
Quando ele me perguntar:”Quem é que deve morrer?”
Minha voz então será ouvida: TODOS!
E quando as cabeças rolarem eu direi: Oba!

Um navio de piratas
Com cinqüenta canhões
Pra bem longe vai me levar

violão: Alessandro Penezzi

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2 Respostas to “Jenny dos piratas”

  1. […] vocês, leitores, hoje mando e dedico a Jenny dos Piratas, nessa versão de meu querido Luiz Roberto Galizia, gravação ainda inédita, que contou com a […]

  2. […] Quando todos menos esperarem, um navio aportará em Nova York. Piratas desembarcarão e saquearão a cidade, amarrando todos os homens, mulheres e crianças na praça principal. Na frente do boteco, Jenny sorrirá, e ninguém poderá compreender sua mórbida satisfação. Ela é a escolhida. Conduzida como uma rainha à praça pelos piratas ela deverá decidir os cidadão que irão morrer. Sua voz finalmente poderá ser ouvida: todos. […]

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