Algumas fotos minhas, em O REI DA VELA

•20 novembro, 2007 • 7 Comentários

Meus queridos

Aqui estão algumas fotos minhas, extraídas do filme O Rei da Vela, do Zé Celso.

Espero que curtam…

beijos da Pantera marialice-na-praia-rosto-3.jpgmarialice-hippie-4.jpgmarialice-hippe-2.jpg

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Salve o Zidane…

•24 agosto, 2007 • 17 Comentários

Zizu

Vasculhando meus guardados, não por acaso, deparei-me com uma foto do jogador francês Zidane, numa matéria de jornal sobre a Copa de 2006, quando ele, ofendido pelos impropérios racistas de um jogador italiano, em pleno campo, deu-lhe uma cabeçada no peito, atitude que implicou sua expulsão do jogo, no segundo tempo da prorrogação.

Zidane é descendente de argelinos berberes, povo que durante a dominação francesa, tornou-se guerrilheiro, e que hoje mantém sua tradição por meio da preservação lingüística.

Em 1977, vivi no teatro uma sacerdotisa berbere argelina, na peça Simun, de Strindberg. Os berberes eram nômades que moravam nas montanhas. Pintavam a cara com uma enzima azul, para se protegerem do vento Siroco – por isso eram chamados de “homens azuis”. Desde este trabalho – um dos primeiros do Ornitorrinco -, senti uma forte ligação com a cultura argelina, identificando-me com alguns aspectos diferenciais dos berberes em relação ao resto do povo árabe: dentre eles, a não-discriminação da mulher (as mulheres berberes são ‘companheiras’ dos homens, e dispensam o uso da burca), bem como pela cultura que é transmitida essencialmente pela oralidade, atravessando séculos de tradição e costumes preservados em festas. Nove anos depois trabalhei o texto Eu Não, de Becket, monólogo escrito na Argélia, inspirado na imagem de uma argelina velha acocorada, muda atrás de sua burca, que subitamente pudesse jorrar palavras há muito tempo sufocadas (metáfora da própria Argélia massacrada pela colonização francesa).

Mas por que a lembrança de Zidane me traz todas estas conexões? Ora, sabemos que todo mundo se curvaria ao espetáculo, na situação cômoda em que o jogador se encontrava, em pleno auge de sua carreira, pronto para protagonizar sua retirada apoteótica.

Mas Zidane não se subjugou ao espetáculo globalizado.

Não titubeou: deixou o búfalo entrar em campo. Sua essência foi dignificada.

Zidane, belo homem azul, receba um tapa da Pantera.

Ride…palhaço!!!

•9 agosto, 2007 • 16 Comentários

cebolas

Quando fiz a única novela da minha vida – Sassaricando – era sempre assediada por jovens, como agora, que me perguntavam se era mais fácil fazer chorar ou fazer rir, fazer tragédia ou comédia…

Hoje eu saberia responder: É mais fácil fazer chorar, meu netinho…

Porque ainda não descobrimos um bulbo (como a cebola) que faça rir! Há Há Há!!!

beijos…

Sim, estão voltando as flores…

•2 agosto, 2007 • 8 Comentários

eu no espetáculo E Ponha o tédio no Ó

Meus queridos netinhos, amigos, parceiros de trabalho e de vida: estou voltando aos territórios virtuais na próxima semana, com mais textos, fotos e vídeos para todos!!!

Terminei uma temporada de teatro, e agora terei mais tempo para conversar com vocês, todos os dias, compartilhar experiências, histórias e muitas emoções!!!

E eu perguntei pro Júnior, meu netinho que toca violão: “netinho, como chama aquele alemão que me deixa doida???”

Bertold Brecht, vovó…

– Ah….então não é o alzheimer!!!

beijos a todos

e até a próxima semana!!!

Meu amigo Luiz Roberto Galizia

•14 julho, 2007 • 13 Comentários

Galizia e eu

PARA LER OUVINDO A CANÇÃO DA BRISA

[odeo=http://www.odeo.com/audio/14338623/view]

Saíamos juntos, almoçávamos, conversávamos sobre teatro, sobre a vida.

Falo de meu querido Galizia, ator e diretor teatral paulistano, autor de algumas dessas versões de Brecht que gravei, artista talentoso com quem convivi alguns anos de nossas vidas…

Nosso primeiro trabalho foi numa peça do dramaturgo polonês Stanislaw Witkiewicz, chamada Delírio Tropical, com direção de Emílio di Biase. Estávamos em 1977 – exatos trinta anos –, eu fazia o papel da mãe, ele do filho: e arrancávamos gargalhadas da platéia.

A partir daí andávamos juntos, ele e eu, e alguns nos classificavam como “um estranho casal”. Às avessas, trançávamos as pernas nessa Paulicéia da qual ele gostava tanto. E eu também…

Nesse mesmo ano de nosso primeiro encontro profissional – eu já o conhecia da faculdade, mas sem proximidade –, fundamos o Ornitorrinco, com Cacá Rosset, e a partir daí seguiram outros trabalhos, intensos processos de pesquisa, ele Galízia um estudioso contumaz.

Montamos “Os mais fortes”, sobre a obra de August Strindberg, e em seguida o Ornitorrinco Canta Brecht e Weill, saindo do antigo porão do Oficina para outros espaços, já oficialmente como um grupo de teatro.

Em seguida fizemos Pequeno Mahagonny, de Brecht, e Galízia cantando bonito, bonito…saudades…

Tempos depois ele saiu do Ornitorrinco, nos perdemos de vista até 84, pois avançava seus trabalhos de pesquisa teatral e teses, ao mesmo tempo que se dedicava também à publicidade. Ainda fizemos, no começo da década de 80, A Pororoca, com minha querida Magali Biff, para o Festival Latino-americano de Teatro, em N. York.

Seus trabalhos deram mote para a tese do Luiz Fernando Ramos – Galizia: uma poética radical no teatro brasileiro – , um belo estudo acadêmico, repleto de informações importantes para que faz teatro.

Pouco depois ele nos deixava, prematuramente, e no peito uma sensação de que poderia, sim, ter continuado mais tempo ao nosso lado. Lembro-me de Catherine Hirsh, Denise Stoklos e eu percorrendo o corredor do Emílio Ribas no dia de sua partida.

Chovia.

Chovíamos todos por dentro.

Incentivador, Galízia revelou-me coisas que eu mesma não conhecia, sobre mim, sobre minha essência: por exemplo, ser atriz.

Eu, que havia desenvolvido uma extroversão cênica, especialmente pela minha experiência com Zé Celso, de repente atentei para um gestual mais perspicaz, gestos menores, além de um senso de humor brechtiano irônico que muito tinha a ver comigo.

Galízia despertou isso em mim.

Meu CD na rede, de graça, para todos…

•9 julho, 2007 • 23 Comentários

Ai, delícia de começar…

Que surpresa ao ver que meu disco está no maravilhoso blog UM QUE TENHA:

http://umquetenha.blogspot.com/2007/07/maria-alice-vergueiro-lrio-do-inferno.html

Eu quero agradecer a este netinho, dono desse blog que eu adoro (vivo baixando discos e mais discos…), e peço a ele que me escreva, pois fiquei muito feliz e honrada em estar entre os discos que ele disponibiliza…

E viva a democracia da arte…Música à mancheia, e faz o povo cantar!!!

Update: clique neste link para baixar a arte do CD (capa, contracapa e rótulo, em formato PDF, para impressão).

Ó delícia de começar…

•3 julho, 2007 • 6 Comentários

Neste vídeo, eu canto duas canções de Brecht, no espetáculo dirigido por meu amigo Heron Coelho (“Em cena, ações” – SESC Ipiranga). No violão, o virtuoso Alessandro Penezzi. O projeto foi em homenagem ao ator e dramaturgo Gianfrancesco Guarnieri:

A primeira canção se chama Ó delícia de começar, texto de Bertolt Brecht musicado pelo pianista português Carlos Azevedo e adaptada por Catherine Hirsh. Já a segunda é a Canção do rio Moldau, adaptação de Tatiana Belink para Das Lied von der Moldau, parceria de Bertolt Brecht com Hans Eisler composta para a peça Schweyk im zweiten Weltkrieg (O soldado Schweyk na Segunda Guerra Mundial), escrita em 1944, quando do exílio do dramaturgo alemão nos EUA.

Agradeço ao Zé Carlos Cipriano, do site musical Sovaco de Cobra, por ter colocado este vídeo na internet. Espero que gostem!